A nossa História

Envolvente

O início do século XX foi marcado em Portugal por uma onda de sublevações populares, greves e motins no exército.

Terá sido, decerto, um dos períodos de maior agitação na cena político-social portuguesa.

Por um lado, a monarquia defendia-se e contra-atacava com repressão. Por outro, o movimento Republicano ganhava uma forma consistente no seio de uma média burguesia e do operariado urbano, iniciando, então, o ataque final ao sistema monárquico.

Decorria o ano de 1901. O país ainda não tinha esquecido o sufocante Ultimatum Inglês de há 11 anos. O Governo, liderado por Hintze Ribeiro, pressionado pelas juntas da classe média burguesa, inicia uma pseudo-perseguição às novas ordens Clericais de cariz contemplativo.

Génese

É neste cenário de convulsão social e de agitação de classes que surge, no seio do corpo de fiscalização dos Impostos, uma associação com o objetivo expresso de auxiliar as primeiras despesas da família do funcionário que faleça.

Imbuída de um espírito solidário de Corpo, alarga logo no ano seguinte, o âmbito da sua atuação, passando a fazer aos funcionários, funerais modestos, mas decentes e condignos e considerando, ainda, a possibilidade de atribuição de uma pensão temporária aos funcionários em caso de doença grave.

Dezoito anos volvidos sobre a fundação, em 1919, a inscrição no Cofre de Previdência assume um carácter obrigatório para todos os elementos do Corpo de Fiscalização dos Impostos.

Alteração da Abrangência

O ano de 1925 volta a trazer alterações notáveis ao sistema político, com as consequentes implicações no campo social. Como tal, o Cofre não deixou de ser afetado pela progressiva decadência da Primeira República no limiar da implantação do denominado período Salazarista.

O seu âmbito de atuação foi sucessivamente alargado tornando obrigatória a inscrição de todos os funcionários da Direção Geral das Contribuições e Impostos e, posteriormente, permitindo-a a todos os funcionários e agentes do Estado.

Alterações no Estado Novo

Com o Golpe Militar de 28 de Maio e a instauração do Estado Novo é criada a figura do Representante do Governo, com o objetivo de informar o Executivo dos atos da Direção do Cofre. Esta figura só vem a ser abolida em 1974.

Em 1927 são publicados os primeiros estatutos, em simultâneo com o reconhecimento do Estatuto de Associação de Utilidade Pública. Ao longo de todo o período Salazarista, a instituição mantém-se fiel aos seus princípios de solidariedade, alargando o tipo de apoio aos associados, passando a incluir a vertente habitação. É também prevista a concessão de um abono em caso de doença do sócio ou de um seu familiar direto.

Novos Cenários Pós 25 de Abril

Na sequência das alterações sociopolíticas ocorridas em 1974, o Cofre consegue autonomizar-se do poder político pela anulação da figura do representante do Governo e devido ao pleno funcionamento das assembleias gerais.

Em 1976 publicaram-se os estatutos que ainda hoje vigoram, que sofreram, até à data, as alterações inevitáveis de adaptação às necessidades económicas e sociais dos associados.

Só a continuação do espírito de solidariedade e cooperação, que esteve na sua origem no início do século, aliada à continuação de uma gestão eficaz do património do Cofre, permitiu que se comemorasse em 2001 o seu Centenário, em plena vitalidade da instituição.

O Funcionamento na atualidade

Em finais do século XX o Cofre alargou o âmbito dos objetivos sociais, permitindo, desde então, o acesso a abonos reembolsáveis, a adesão a programas de férias, investindo em equipamentos de apoio à terceira idade e em equipamentos de lazer a favor dos associados.

No início do século XXI, nasceram as Residências de Estudantes no Porto e em Lisboa destinadas a sócios e seus familiares que estudem naquelas cidades. Os primeiros alunos entraram no ano letivo de 2012/2013.

No final de 2008 contava com 53.333 associados distribuídos por todos os ministérios, pelas empresas do Estado e pelos aposentados. Como reflexo da conjuntura que se vivia nessa altura, o número de sócios aposentados atingiu os 37,6% e o número de associados das Finanças era de 13%, sendo a idade média de 57 anos.

Desde então e mesmo tendo em conta a grave crise económico-financeira e social que o país atravessa, a quotização anual subiu 6% apesar do número de associados ter descido para 51.218; a percentagem de aposentados atingiu os 42.1%, o peso dos associados das Finanças fixou-se nos 9% e a idade média subiu para os 59 anos.

O Cofre encontra-se, hoje, numa fase de consolidação, procurando o rejuvenescimento da sua massa associativa e prosseguindo numa perspetiva de futuro, adaptando-se às necessidades dos sócios e encarando com otimismo o desafio do presente.